sábado, 26 de outubro de 2013

O Catorze


Catorze é o homem que espera.

Sempre com as suas roupas de domingo, fatinho encorrilhado como a pele endurecida, está sentado com o boné de Portugal. Nunca lhe vi os olhos mas, conheço bem os óculos que os escondem. 

Entrei no mesmo autocarro. Encontrou dois lugares livres.

E sentado espera.

Espera pelo que foi, pelas pessoas que não estão, por um futuro perdido e por alguém com quem conversar. Passam, olham, falam entre si mas ninguém vê o homem que fala sozinho.

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