Catorze é o
homem que espera.
Sempre com as suas roupas de domingo,
fatinho encorrilhado como a pele endurecida, está sentado com o boné de Portugal. Nunca lhe vi os olhos mas, conheço bem os óculos que os escondem.
Entrei no mesmo autocarro. Encontrou dois lugares
livres.
E sentado espera.
Espera pelo que foi, pelas pessoas que não estão, por um futuro perdido e por alguém com quem conversar. Passam, olham, falam entre si mas ninguém vê o homem que fala sozinho.
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